quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Ter um filho dói

A Sofia nasceu de cesariana. Não tive quase nenhuma contracção, o dia foi mais ou menos definido com antecedência e na hora estipulada, depois de algumas tentativas para nascer de parto natural, fomos para a sala de operações. Em meia-hora tinha a minha menina nos braços, perfeita.
A dor que quero falar aqui não é esta dor, a do parto ou das contracções. É uma dor bem pior, bem mais lenta e sem qualquer anestesia ou epidural que lhe valha. É a chamada dor de amor. Pelos filhos.
Sempre evitei ver vídeos ou ler noticias tristes. Aliás, eu sou defensora que devia existir um canal só sobre felicidade, com noticias boas. Ou um jornal, sei lá. Não é querer fugir aos problemas, esquecer-me dos que sofrem ou não estar atenta às desgraças do mundo. Simplesmente, acho que nos devemos rodear de pensamentos positivos. E se antes até via um ou outro vídeo de histórias menos felizes, e falo principalmente sobre crianças, agora, que sou mãe, é que não consigo ver mesmo. Fica um nó na garganta, os olhos enchem-se de lágrimas, a emoção avança desmedida, o coração pula e pula de tristeza. É uma angustia tão grande que faço pause, fecho a janela e vagueio pelo Pinterest. Lá há sempre imagens tão boas.
Todos os dias, depois das 21h00, enquanto arrumo o cesto de roupa passada ou arranjo a roupa para o dia seguinte, passo por aquele quarto iluminado por um candeeiro com luz fraca e lá está ela, calma, serena, com os olhinhos verdes fechados e os caracóis a cobrirem-lhe o rosto. Entro, com pés em forma de penas, e afasto os seus cabelos para lhe ver o rosto. Não há nada mais belo do que ver um filho a dormir. Por vezes fico ali parada a absorver todo esse momento. Não sei o tempo que passa. Passa muito ou passa pouco. O tempo pára. E eu agradeço-Lhe.
 
Ter um filho dói. Dói tanto que não se consegue explicar muito bem que tipo de dor é esta.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

terça-feira e ainda não nos conhecemos

Todos os dias nos conhecemos um bocadinho mais e melhor. Não sabemos tudo um do outro, e ainda bem. Fica magia e curiosidade, palavras tão essenciais numa relação.
Não importa os anos que estamos juntos. Os que namoramos. Os que casamos. Cada dia amanhece e cada dia nos ficamos a conhecer. E quando a Lua aparece e o dia acaba deitamo-nos com a sensação que ainda temos tanto para descobrir, moldar, aprender. Quando olho para ele a dormir, é quase como quando olho para a minha filha: gosto tanto de ti e ainda nada sei. E ainda bem que assim é.
Obviamente que há situações e sentimentos que antecipamos, percebemos. Mas assim como os dias não são todos iguais, também a vida e os obstáculos que nos colocam também não. E é aí, nos degraus que subimos e descemos no dia-a-dia que nos vamos conhecendo e aperfeiçoando.
Devemos escolher alguém para estar ao nosso lado que nos traga paz. Alguém que nos tenha visto chorar, chorar a sério, e nos tenha dado o ombro e aquela palavra capaz de parar os soluços e o ranho que por vezes escorre do nariz. Que nos tenha dado alento ou então aquela palavra mais severa mas tão essencial.
Todos os dias nos conhecemos um bocadinho mais e melhor. Não sabemos tudo um do outro, e ainda bem!

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

segunda-feira

Apaziguar a alma e a vida. Deixar entrar este início de semana com um sorriso, com uma atitude positiva. Permitir que o sol que S. Martinho nos oferece aqueça as mãos frias e a pele cansada. A semana passada foi repleta de desafios. Não muito bons. Doenças da mais pequenina, as chamadas viroses. Nada me assustam estas viroses que ela ganha. O que me assusta mesmo, é ela ser a menina mais difícil de tratar. Não comer e, principalmente, não beber o que deveria beber. De resto, tudo normal.
Apaziguar a alma e a vida. Lembrar-me que dentro de mim cresce um outro pequenino. Que me esqueço tantas e tantas vezes dele. Que prometo tirar fotos à barriga durante esta semana e escrever sobre este segundo maravilhoso momento.
Apaziguar a alma e a vida. E agradecer Àquele em quem confio e deposito, todos os dias, os meus maiores receios. Saber que Ele está lá, sempre, ao meu lado, ao nosso lado.
 


O nosso frigorigfico colorido com as folhas de Outono que apanhamos no jardim. No meio dos animais...
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Sobre os filhos, as relações, os dias difíceis e os dias assim assim

Sempre fui muito romântica. Via o mundo pintado de cor-de-rosa, com pinceladas de um arco iris que me acompanhava em todos os momentos. Sonhava com o casamento e filhos. Achava que iria ter sempre paciência para tudo e para todos. Que os dias seriam passados numa parva e saudável felicidade. Estão a ver aqueles anúncios na televisão onde está tudo feliz, bonito, mesas carregadas de boa comida, miúdos bem comportados, pais apaixonados? Pronto. Era assim que eu imaginava a minha vida. Tretas. Só tretas. Se não é a sopa da mãe ou da sogra e uma comida aquecida, bem que passávamos a semana a pizzas.
Ter filhos e manter uma relação de amor é um desafio. Nem sempre concordamos em tudo o que diz respeito à educação dos filhos. Há discussões, acertos, conversas chatas, opiniões distintas. Todos os dias nos é apresentado um desafio. Normalmente, um desafio difícil, daqueles problemas matemáticos que eu tinha de resolver na escola quando na verdade só me apetecia fazer poemas, composições e analisar Camões.
Se vale a pena? Claro que vale. Sabemos que vale a pena quando a vamos buscar à cama de manhã e sorri para nós. Ou quando nos estende a mão para a agarrarmos. Ou quando nos abraça. Sabemos que vale a pena quando ele, no meio dos lençóis, estende o pé para tocar no meu. Ou quando me abraça. Ou quando fazemos piadas sobre as situações e nos rimos juntos, em gargalhas que libertam a tensão. Sabemos que vale a pena quando sinto os pontapés na barriga deste rapaz que cresce dentro de mim. Quando ela nos pede para desenharmos o mano. Quando sabe e nunca mais se esqueceu do seu nome.
 
Seria ingrata se me queixasse da vida que tenho. Seria. Mas só peço um bocadinho mais de paciência naqueles momentos em que apetece atirar tudo às urtigas. Quando as urtigas nos picam, se colam nas nossas costas. Quando deixamos que a voz suba de tom. Nesses momentos, talvez um banho quente, um pijama lavado, um chá de camomila ajudem. É isso. É precisamente isso que vou fazer da próxima vez. E ouvir Minta & The Brook Trout.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O desespero das viroses: o início?

Foram 5 dias, apenas 5 dias. Mas pareceu-me 1 mês. Na quinta à noite a Sofia estava a arder em febre. Liguei ao pediatra que me disse para aguardar 24 a 48 horas e ir controlando. O Ben-u-ron parecia não fazer grande efeito. Os paninhos de água fria na cabeça iam aliviando, a temperatura dela e o nosso desespero. Começou a comer menos, muito menos, e era difícil beber alguma coisa. Sábado acordou bem disposta, brincou, comeu. À tarde voltou a febre e na madrugada de domingo retomaram as temperaturas altas. Domingo fomos ao hospital e tivemos o diagnóstico: nada de otites, amigdalites, infecções urinárias. Era uma afta na garganta. Viroses. As chamadas viroses que sempre desconhecemos, pois a miúda nunca nos tinha ficado doente.
A febre desapareceu. Ficou a tosse, muita tosse, falta de apetite e a má disposição para tudo. Só queria “nanar”, como ela diz, e dormiu horas, enquanto nós, um pouco desorientados, só queríamos que ela estivesse a fazer as asneiras do costume. A somar a isto, temos uma criança que recusa tudo o que é necessário fazer para ficar boa: medicamentos; soro; água do mar; supositórios; aspiração; termómetro; banho…ufff.
Hoje, à semelhança do dia que acordou bonito e com sol, também ela acordou melhor e nos fez sentir melhor. Bebeu o leite e tudo. Decidi deixá-la no infantário. A ver se a convivência a faz arrebitar um bocadinho.
No meio destes longos 5 dias, tive momentos maus. A inexperiência faz-me sentir perdida. Eu sei, claro que sei que as crianças ficam doentes e que, provavelmente, todos vocês já tiveram situações idênticas, ou piores. Mas senti-me tão inútil. Ainda para mais com uma barriga gigante e um bebé tão pequenino dentro dela a pedir-me descanso.
Está tudo mais calmo, muito mais calmo. Voltar à rotina dos dias ajuda. Agora é esperar que o apetite dela volte e os lápis de cor voltem a voar pela casa.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A home to live. A home to smile.

Eu não quero uma casa perfeita, sem riscos ou risos das crianças, sem brinquedos pelo chão, sem pequenas migalhas. Eu não quero uma casa de revista, sempre impecável, sempre limpa, sempre organizada. Não quero porque: isso nunca será possível com crianças em casa; isso não é o meu lema de vida; isso só existe no instragram, facebook e revistas.
Eu quero uma casa onde se viva. Onde se ouçam gritos e cantorias dos mais pequenos. Onde na cozinha tenha um quadro de lousa para os mais estranhos desenhos e recados. Onde nos chateemos e façamos as pazes. Onde os miúdos possam correr, brincar, chorar, gritar, dormir, repousar. Onde plantemos todos juntos plantas nos vasos e as reguemos, como se ao amor estivéssemos a dar de beber. Onde exista cheiro a grelhados da churrasqueira. Onde se coloque a abóbora no muro no dia 31 de Outubro e as velas para a procissão no dia da festa. Onde possamos todos ser felizes, muito felizes. Sem complicações. Sem exigir muito dos outros nem da casa.
 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ela não gosta de tomar banho

Minha filha tem 20 meses e nunca gostou de tomar banho. Quando leio frases como “o banho deve ser um momento divertido e relaxante” fico a pensar que lá em casa é tudo menos isso. Até entra na banheira. Mas mal se apercebe que lhe vamos dar banho, grita, esperneia, chora, faz trinta por uma linha para sair dali. Por enquanto não se magoou, mas se continuar assim pode mesmo magoar-se a sério ao tentar fugir do banho. Tenho a sorte de ter sempre o meu marido por perto que a segura (agarra) e lhe dá banho, pois eu com esta barriga já não consigo.
Já tentei muita coisa: esquecer o chuveiro; dar-lhe noutra casa de banho; comprar uma base de chuveiro linda cheia de bonecas e flores; levar os patos. Pratico uma espécie de mindfullness naquele momento, tentando abstrair-me da gritaria, passando-lhe as mãos calmamente pelo corpo. Mas nada, nada resulta.
O que leio na internet é quase sempre relativo a crianças maiores. Não encontro nada sobre esta idade.
Por isso, se houver por aí histórias semelhantes, dicas, soluções, serão muito apreciadas por esta mãe em desespero.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

a minha gravidez #20 semanas

Esta semana trouxe-nos a certeza que está tudo bem, comigo e com o bebé, e que é um menino.
Nesta segunda gravidez, a barriga fez-se notar muito mais cedo e igualmente cedo deixei de usar a minha roupa habitual. Salvaram-me os vestidos que tinha e umas blusas largas. Comprei umas calças de grávida pela primeira vez, mas hoje já noto que me apertam. E se por norma não gosto de roupa apertada, então estando grávida detesto. Vestidos, eu gosto muito de vestidos e por isso andei à procura de alguns. Porque isto ainda vai a meio...
Encontrei estes que gosto, todos da Zara.
 






 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ainda vais acabar o dia a chorar...

Já ouviram isto muitas vezes, pois já? Eu já. Naqueles dias em que só dizemos palhaçadas, gozamos com tudo e com toda a gente, estamos no auge da nossa felicidade. Nesses dias, em que o mundo é feito de fantasia pura, temos alguém que nos alerta para a fatalidade do fim de dia.
Só as pessoas pessimistas pensam assim. As que não acreditam em dias bons, mesmo bons, que podem durar desde o nascer até ao pôr-do-sol.
Quando ouvia isto, moderava o meu comportamento. Ficava com medo desse choro que poderia vir. De acontecer realmente alguma coisa que me fizesse ficar triste.
Agora não. Agora penso que temos tão poucos momentos de felicidade extrema que o melhor mesmo é aproveitar. Se tivermos de chorar à noite, choremos. Mas pelo menos que o dia tenha sido bom!
 
 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

ultimamente…

Hoje começa o Outono e eu gosto. Gosto de todas as estações, pois cada uma me traz sempre algo especial.
A Sofia está bem no infantário. Chora sempre de manhã, coitadinha. Mas à tarde, quando a avó a vai buscar, não chora. Está tão despachada e feliz. E isso é o mais importante, ser feliz.
A casa está na recta final, mas meio parada. Ou seja, está no quase, parece que falta pouco, mas a sensação é de que nunca mais.
Vou entrar na semana 20 da gravidez e sinto-me bem. Quando passo num espelho e vejo a barriga que tenho (enorme, por sinal) fico tão mas tão feliz. Como é que há pouco tinha esta barriga e agora está aqui outra vez?
Ainda não comprei nada para o bebé, talvez porque precise ter mesmo a certeza que está tudo bem, e que é rapaz.
O meu irmão fez 33 anos. O que significa que daqui a 2 meses faço 37.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

saudades

Tenho saudades de ti, minha filha. Dos dias imensos que passávamos em casa, a olhar uma para a outra. Quando te dava a mama, quando dormias, quando acordavas. Tenho saudades de ti, minha filha. Daqueles dias lentos, vagarosos, sem tempo nenhum para mim mas com todo o tempo do mundo para ti. Ainda és tão mas tão pequenina e às vezes já me pareces uma mulherzinha em miniatura. Quando te deixo de manhã no infantário, penso no quanto gostava de ficar lá contigo a brincar. Não choro, nunca chorei. Nem mesmo no primeiro dia. Sei que ficas bem e és tratada melhor ainda. Mas há uma parte de mim que fica vazia por não te ver crescer. Durante as 8 horas que estou sentada ao computador, ris, choras, comes, dormes, pintas, dás beijinhos, conheces pessoas.
E eu não vejo.
Enquanto escrevo, caem-me as lágrimas. As hormonas da gravidez fazem das suas.


 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

future challenges


“…but at the same time I'm very excited with all the future challenges! So... Let's do this…”

Leio vezes sem conta este tipo de frases. Novos projectos. Novos desafios. Novidades. Vidas de projectos. Não são de todo vidas fáceis. Não têm horários, não têm salários fixos. Têm de trabalhar muito para ganhar alguma coisa. Não se contentaram com o emprego das 9h às 18h. Com a correria da manhã e o chegar tarde a casa à noite. Vêm os filhos crescer. Estão presentes em mais momentos. Fazem o que gostam. Lutam pelo que gostam. Dedicam-se de corpo e alma a um projecto. Vivem sempre na ansiedade do amanhã: novas encomendas, novas parcerias, novos contactos, novas ideias. Têm de estar sempre a inovar, atentas à concorrência, às redes sociais, à caixa de correio. São corajosas. Estas pessoas para mim são corajosas, principalmente as que desistiram de um emprego para se dedicaram à sua própria empresa. No inicio são só elas. O computador, o telemóvel, talvez até o cão ao seu lado ou o bebé na alcofa. Em casa, na sala, na mesa de jantar, rabiscam uns sonhos, anotam ideias, alinhavam prioridades. Não é fácil. Não deve ser fácil, digo eu. Mas nada no inicio é fácil. Uma adaptação, ao que quer que seja, nunca é fácil. Por isso não desistem e o mundo e pessoas como eu agradecem-lhe. Pela iniciativa. Pelas coisas bonitas que fazem. Por mostrarem que nunca é tarde, nunca é impossível, nunca não existe. Existe o agora, o presente, o “vou fazer o que gosto hoje e amanhã logo se vê”.
Pessoas assim, adoro-vos. Era só isto.



 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ideias para a casa nova #1

Gosto de folhear o catálogo do Ikea e imaginar que vivo como e com aquelas pessoas que lá aparecem. Famílias grandes e felizes. Casais apaixonados no meio dos lençóis. Refeições deliciosas em cozinha lindas de tão simples. Sofás onde apetece estar e dormir, sem nunca doer as costas. Identifico-me muito com o estilo nórdico. Quando fiz a minha viagem solitária pela Suécia e Dinamarca, apeteceu-me ficar muito mais que as 2 semanas que lá estive. Apeteceu-me ficar a sério. Mas esquecendo essa parte do sonho, até porque este sol nos faz bem e as sardinhas pequeninas com arroz de tomate também, seleccionei algumas imagens para a decoração da nova casa. Já que não podemos viver na Suécia, trazemos um pouco da Suécia para o nosso dia-a-dia.







segunda-feira, 29 de agosto de 2016

deixar entrar o sol

Nunca iremos agradar a toda a gente. Nunca. Há pessoas que gostam mesmo muito de nós e outras que nem por isso. É vida. É mesmo assim. Há pessoas que irão ficar sempre, mas sempre felizes com a nossa felicidade e infelizes com a nossa tristeza. Outras há que não gostam de nos ver sorrir e sorriem quando entristecemos. Na verdade, já me preocupei bem mais com este tipo de pessoas que de quando em vez se atravessam no nosso caminho. Lido bem com isso, ou, pelo menos, lido melhor.
Devemos gastar o nosso tempo com quem nos quer bem e dedicar a nossa atenção a quem se preocupa connosco. Devemos ignorar os restantes.
Não escrevo isto por estar a passar por alguma coisa em especial. Apenas me lembrei deste tema e decidi partilhar. Agora que estou grávida (e antes também, confesso), facilmente percebemos o sorriso de quem fica feliz e o outro sorriso. Mas uma vez que este é o chamado “estado de graça”, vou deixar que apenas as coisas boas entrem. Que entre a paz. Que este meu segundo bebé sinta que a mãe é feliz. Muito feliz. E sou mesmo.
 
 

 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

As minhas férias e uma novidade

Estive 3 semanas de férias, que terminaram ontem de manhã. Não estive ausente do mundo, mas quase. Não li grande coisa, nem livros, nem revistas, nem blogues. Também vi pouca televisão. Gostava de percorrer as imagens do Instagram mas não o fazia diariamente. Facebook nem pensar, cada vez gosto menos.
A primeira semana foi passada no calor tórrido de Monte Gordo. Quase não pus os pés no caldinho de água que não nos abandonou. Já fui de mergulhos e não regressar à toalha de cabelo seco. Mas agora ligo pouco. Também já fui de me esticar ao sol à espera que os raios me preenchessem todo o corpo, já de si moreno. Mas agora mal saio da minha toalha e debaixo do guarda-sol.
A segunda e terceira semana foram passadas por aqui (entenda-se Porto e arredores). Praia (mais fria mas suportável); visitas a museus; algumas fotografias para salvar o 2º verão da nossa menina.
Este tempo de pausa (adoro esta expressão e tinha de a usar. Li-a vezes sem conta nos blogues onde entretanto já actualizei a leitura), não foi uma ideia minha. Vou reformular. Este tempo de pausa foi quase uma imposição.
 
A novidade (entrem os tambores, estenda-se a passadeira vermelha) é que estou grávida de 15 semanas (faz hoje) e, nestas últimas semanas, tive: descolamento de placenta; exames ao sangue que detectaram problemas de tiróide; marido a ter de tratar de tudo, e pegar em tudo, e suportar tudo; arranjar uma empregada; empresa para passar a ferro; uff. Agora está tudo bem. Quer dizer, mais ou menos. A placenta começou a colar mas a tiróide talvez esteja aqui para durar. Veremos nos exames e consultas e que avizinham.
Tirando os dias menos bons, mantenho a cabeça erguida.
Não foram umas férias de sonho. Mas também não foram más de todo. Vi a minha filha crescer, começar a comer tudo o que comemos, devorar arroz e pão. Entrar no mar sem medo. Fazer bolos de areia pela primeira vez.
Nem todos os dias são perfeitos. Vocês sabem bem que não. Mas depois há aquela mão pequenina a agarrar a minha e há aquela voz doce de menina que aponta para a minha barriga e diz “bébé” e dá beijinhos. E isto é tudo.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

a importância da auto-estima. da nossa auto-estima.


 
 
 
au·to·-es·ti·ma
(auto- + estima)
substantivo feminino
Apreço ou valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios actos e pensamentos.

"auto-estima", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/auto-estima [consultado em 14-07-2016].


 
Temos pouca, às vezes parece que nenhuma. Somos sempre as piores mulheres, as piores mães, as piores filhas. Passamos a vida em queixumes e lamentos daquilo que não somos nem conseguimos ser. Queremos ser sempre melhores, nunca satisfeitas com os resultados. E mesmo quando os resultados até são positivos, achamos que poderíamos ter feito mais. Esquecemos muitas vezes o que fazemos bem e damos apenas importância ao que fazemos mal.
Sei que não somos todos assim, graças a Deus. Mas eu sou. Optimista por natureza mas com pouca confiança.
Foi durante uma conversa à mesa, onde revelava mais uma vez ao meu marido o meu descontentamento em mim mesma, que dei por mim a pensar na inutilidade do queixume. Foi durante esta conversa, onde desabafava e colocava em cima da mesa todos os meus medos e angústias, que deu por mim a pensar que queixar não me iria levar a lado nenhum. Precisava de agir. Mas antes precisava de parar e pensar. Organizar umas ideias, umas metas. Definir prioridades.
 
Considero que o mais importante é assumir. Assumir onde somos fracos. Assumir coisas que não gostamos de fazer. A partir daqui já não nos sentimos tão mal. Não há necessidade, nem dá resultado, querermos ser uma pessoa diferente só porque sim. Só porque a amiga é. Só porque a mãe é. À que assumir as nossas falhas e os nossos medos.
E para estarmos bem com os outros, temos de estar bem connosco. E para educarmos uma criança com auto-estima, temos primeiro que trabalhar a nossa.
Foi a pensar no meu marido e na minha filha que decidi começar a pensar mais neste tema. É um caminho que quero percorrer, sem pressas.
 
Por enquanto não passam de palavras, soltas, debitadas num post de um blog que alimento. Mas a seu tempo será mais do que isso. Assim espero!

 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

"Amor a Portugal"

Porque é a nossa pátria. Porque é a nossa língua. Porque é o nosso cantinho. Porque é o nosso país que hoje é falamos em todo o mundo. Porque sim, merecemos. E ficou provado que com força, dedicação, fé e esperança tudo se consegue.


https://youtu.be/C_J1OGOPgMw


sexta-feira, 1 de julho de 2016

contar os dias

Penso e sonho no dia em que os nossos pés pisem, finalmente, a casa nova.
O dia em que a sala, virada para o sol que nos aquecerá os dias, aqueça os passos em forma de dança enquanto, no gira-discos, passa Marisa Monte. O dia que em que o jardim ganhará flores, árvores de fruto, vasos com ervas aromáticas, risos das crianças a correr em pés descalços. O dia em que a nossa vida fique iluminada e ofuscada com o branco imaculado daquelas paredes, recheadas de fotografias contadoras de histórias e viagens.
Não há ainda dia para a mudança. Muita coisa está por fazer, por concluir, por modificar, por tentar melhorar. É uma causa lenta, com alguns dissabores.
Talvez um dia, quando estivermos juntos naquele alpendre, a olhar para o sol, o jardim, as árvores, as crianças, os pés descalços, chegaremos à conclusão que valeu a pena esta espera e esta preocupação constante que se instalou na nossa vida há mais de 2 anos.



segunda-feira, 27 de junho de 2016

desabafos

Julgo que já aqui o disse, mas sou péssima na cozinha. E mais péssima me sinto quando olho para aquele pequeno ser que tenho lá em casa, a crescer, a precisar de boa alimentação e eu cheia de medo de errar na hora de ir para a cozinha preparar alguma coisa para ela.
A sopa faço bem, muito bem até. Ela adora. Mas depois o resto é ver-me meter os pés pelas mãos. Vale a ajuda da mãe e sogra que mandam sempre alguma coisinha que sobrou.
Por isso, quando lia hoje o Observador, fiquei imensamente feliz pela descoberta de um blogue com receitas para bebés. O que eu já tinha pensado nisto, num sítio onde alguém colocasse receitas saudáveis e fáceis. E existe. E vai ajudar-me tanto. E estou ansiosa para as fazer na Bimby.
 
 
 
Notas:
* Não, a Sofia nunca comeu batatas fritas. Aliás, é alergica à batata. Alergia que tenho muita esperança que passe.
* Está com 16 meses.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Viajar com crianças – como foi?

Regressamos das nossas mini-férias. 3 dias na Alemanha que parecem sempre mais do que na verdade são. Tenho muito para partilhar. Coisas que gostava de ter lido nalgum sítio antes de viajar com bebés. Mas isso não significa que tenhamos de saber tudo antes de viajar. Aí reside o bom da aventura: não saber o que contar e a experiência nos enriquecer ainda mais, como seres humanos e como pais normais que somos.
 
Comecemos pelo inicio: o avião.
 
Fizemos a viagem pela Ryanair e não colocaram qualquer entrave à alimentação para bebé. Conforme tinha referido, levei apenas o essencial para os 3 dias: 4 iogurtes, 3 papas de fruta, papa da Nutriben (a embalagem cheia e por abrir), utensílio com leite em pó com 3 compartimentos, água e 4 caixinhas com sopa, que fiz em casa, cada uma com 210 ml. Pediram para retirar toda a comida para um cesto e fizeram um levantamento de tudo, apenas por uma questão de controlo. A viagem durou 2h20 e a Sofia dormiu cerca de 1h20. Na hora que sobrou ficou a brincar, nada aborrecida e sempre ao meu colo, presa por um cinto que se liga ao meu, muito fácil de colocar. Os brinquedos e o livro que comprei nem saíram da mochila.
A ligação do aeroporto ao centro da cidade é feita de comboio, que se apanha no aeroporto. Dura apenas 15 minutos e custa 2.80 eur por pessoa. A estação fica mesmo no centro, junto à Catedral e o nosso hotel também!
 
Foram 3 dias de muito passeio, muitos quilómetros nos pés e a alma cheia e revigorada. Visitamos a Catedral de Colónia, o Museu Ludwig, e todas as lojas do centro. Ainda fomos a Aix-La-Chappell ver o trono do Carlos Magno. 1 hora de comboio muito agradável.
 
No regresso, voltaram a não colocar qualquer entrave na alimentação. O carrinho dela é levado até às escadas do avião e depois colocado no porão. Quando chegamos ao Porto, estava cá fora à nossa espera.
 
Viajar com crianças não tem de ser assustador. Temos de deixar de lado os horários rígidos de alimentação bem como as horas de dormir ou acordar. Eu sou uma fiel seguidora dos horários, mas em viajem nunca coloco isso como prioridade. Deixarmo-nos levar pela aventura e o desconhecido é o melhor que podemos fazer, nos poucos dias que temos no ano para isso.
 






 

 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Viajar com crianças - outras dicas

Lembrei-me de mais algumas coisas que gostaria de partilhar com vocês, na minha qualidade de mãe que nunca viajou com a filha de avião.
 
  • Deixem tudo preparado de véspera. Não façam as malas de manhã, pois a manhã deve ser dedicada ao pequeno-almoço, ao banho e à saída para o aeroporto.
  • Verifiquem toda a documentação antes de sair de casa.
  • Sair de casa com antecedência, evita nervosismos e atrasos desnecessários. Chegar ao aeroporto com calma, ter tempo para tomar um café, dar-lhe a fruta e mudar-lhe a fralda. As casas de banho do avião estão preparadas com fraldário, mas é tão pequenina.
  • Não stressar antes do voo, nem pensar se ela vai gostar ou não. Vai gostar de certeza, se nós estivermos bem e descansados.
  • Esperar que a curiosidade de uma situação nova se apodere dela naturalmente, sem muitas expectativas.
 
E desfrutem. Desfrutem de cada momento, de cada fotografia que vão tirar para mais tarde recordar, de cada sorriso que irão ver no rosto pequenino dos vossos filhos.
Viajar em família é isso mesmo. É viver de forma um bocadinho mais descontraída dos restos dos dias.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Viajar com crianças - o que vamos visitar

Colónia: como chegar
 
O aeroporto de Colónia (Aeroporto de Bona) fica a 17 km de Colónia.
A estação do aeroporto, situada entre os terminais 1 e 2, é servida pelos comboios S13 e Te8 na linha expresso Frankfurt-Colónia.
A viagem de 15 minutos até ao centro de Colónia custa 2.80 eur/pessoa e é necessário comprar bilhetes antes de embarcar.
A estação principal de Colónia é Köln Hauptbahnhof, situada ao lado da catedral no centro da cidade.
 
Quando chegarmos ao centro da cidade, e depois de deixar tudo no hotel, o ideal é dirigirmo-nos ao Centro de Informações Turísticas na Kardinal-Höffner-Platz 1 (ao lado da Catedral), para recolhermos mapas e dicas.
 
Colónia: como explorar
 
O bairro onde vamos ficar chama-se Altstadt-Nord, mesmo no centro da cidade. Tem lojas de grandes marcas, arquitectura colorida e bares invulgares. Tem o ultramoderno edifício Weltstadthaus na Rua Schildergasse.
Nesta área pretendemos visitar:
 
  • Museu Ludwig: cobre a totalidade da arte do século XX, do abstracto ao surrealismo e à arte pop. Podemos contemplar a obra de Picasso “La Femme à L’Artichaut” (Mulher com Alcachofra) de 1941, o “M-Maybe” e Lichtenstein e os Dois Elvis de Warhold.
  • Teatro Filarmónico de Colónia : este teatro é famoso pela sua acústica comovente. Uma das principais características de concepção do edifício é que as paredes não são paralelas, o que provoca uma reverberação musical consistente, independentemente de a sala estar cheia ou não. Geralmente há concertos diariamente - de musicais populares a orquestras de 90 elementos.
  • Catedral de Colónia : eis a maior igreja gótica da Europa! A construção começou em meados do século XIII e durou quase 500 anos. Hoje, este edifício gigantesco com pináculos de arranha-céus é um verdadeiro ícone de Colónia. Contém o magnífico "Santuário dos Três Reis", que se diz encerrar as ossadas dos Reis Magos bíblicos.
  • Museu Wallraf Richartz: este edifício brutalista pode ter design funcional, mas contém um tesouro de pinturas notáveis que abarcam três períodos artísticos importantes: arte gótica, renascentista e impressionista num espaço resplandecente, banhado de luz. Uma das suas peças mais famosas é a "Ponte de Langlois em Arles" de Van Gogh, uma das vívidas aguarelas do artista.
  • Ponte Hohenzollern: ondulante ponte pedonal enclausurada em aço e um dos locais mais românticos de Colónia. Tem vista para o Rio Reno a fluir da Renânia até ao distante Mar do Norte que captura a imaginação.
  • Torre de Colónia: esta intensa torre de escritórios é a prima moderna da Catedral de Colónia. Faz um grande contraste com os edifícios históricos que a rodeiam, a erguer-se 44 pisos acima da cidade. A sua edificação distintamente moderna foi concebida pelo mestre arquitecto Jean Nouvel, mas a principal razão para a visitar é o Osman 30 Köln: este restaurante no 30.º andar tem uma vista arrebatadora sobre toda a cidade.
  • Buchhandlung Walther König: é o céu na terra para quem aprecia livros sobre fotografia, artes gráficas ou arquitectura. Contém uma selecção especializada e incrivelmente extensa.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Viajar com crianças – o que levar

Tudo começa com uma lista do que achamos que precisamos para os 3 dias. A lista, no meu caso, foi sendo reduzida quando achei que não era mesmo necessário tanta coisa. Basicamente, para nós, não é necessário nada de especial. Agora que temos um bebé, concentramos as necessidades no que ela precisa.
Comecemos.
 
Para nós:
 
- 1 mochila às costas com: bolsa com todos os documentos; biberão de água para a Sofia; 3 ou 4 fraldas; toalhitas; mudador de fraldas descartável; fralda de pano que ela usa para dormir; chupeta; máquina fotográfica; caderno e caneta; batom de cieiro; uma muda de roupa para a Sofia caso ela se suje. Esta mochila, com estas coisas, também vai servir para andar em passeio pela cidade.
- 2 malas de mão com as seguintes coisas distribuídas: bolsa com alguns medicamentos e cremes para o sol e quedas (não considero importante levar o necessaire atrás porque os hotéis têm sempre champô e gel de banho. Há que descomplicar na hora de abrir a bolsa no aeroporto. Para a Sofia levo umas amostras de shampô e é mais que suficiente). O biberão do leite; roupa para os 3; chapéu de sol para ela; chinelos; pijamas; carregador de telemóvel (apenas 1, uma vez que os nossos telemóveis são iguais); carregador da máquina fotográfica.
- comida para ela: embalagem de papa da Nutribén; boiões de fruta; boiões de comida; leite em pó da Aptamil; bolachas Maria em pacotes de 4 (vou fazer a conta para os 3 dias que vamos lá estar). Talheres. 2 babetes.

Para a Sofia:
- li em vários sítios que devemos levar um brinquedo novo para, num momento de aborrecimento ou choro no avião, conseguirmos obter o factor surpresa. Comprei-lhe 2 livros de autocolantes (é a sua nova paixão) e uns bonecos da Lego. Também levo os lápis de cera e um caderno. E o Nenuco preferido dela que adormece todos os dias ao seu lado.
- chupeta que anda sempre com ela.
 
Depois levamos o carrinho para o passeio. Um daqueles baratinhos, práticos e leves que compramos no Continente.
 
Espero não me ter esquecido de nada. Julgo que não. J
Se tiverem outras dicas a acrescentar, digam. Nunca é demais saber.
 
O próximo post vai ser sobre dicas de como andar na cidade com um bebé. Aproveito e falarei especificamente do sítio que vamos visitar: Colónia.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Viajar com crianças – o início

Pela primeira vez, iremos fazer uma viagem de avião os 3. Sim. Eu, o marido e a pequenina de 15 meses. Numa tentativa de me organizar, apesar de ter tudo escrito no meu caderno, e também de vos esclarecer/ajudar sobre como viajar com bebés, iniciarei hoje uma série de textos sobre o tema. Obviamente que a minha experiência nisto é zero. Mas considero que escrever ajuda a clarificar e ordenar todas as ideias/dicas que vou lendo ou aquelas coisas que a minha sensibilidade de mãe me diz. Será uma viagem low-cost, de apenas 3 dias. Um fim-de-semana que nos vai fazer a todos muito bem. Em que iremos colocar à prova o nosso lado mais aventureiro, mais prático e mais simples.
Assim espero que seja e assim espero que consiga.
 
No próximo post irei focar-me na lista do que levar (do que realmente é preciso levar).
 
 
imagem via pinterest
 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Bloggers Camp

Ter um blogue dá muito trabalho. Ter um blogue é bom, muito bom, mas se escrevemos aqui é porque: gostamos de escrever; gostamos que os outros leiam o que escrevemos; gostamos que comentem.
Nem sempre há assunto. Melhor, nem sempre há tempo.
A pensar nisso, e já conhecendo o trabalho destas meninas (de forma individual), decidi inscrever-me no encontro nacional de bloggers: oBloggers Camp. Um fim-de-semana inteirinho dedicado a este mundo que pertencemos, com direito a dicas, gargalhadas, animação, bom convívio, uma onda positiva.
Mas, a vida trocou-me as voltas e já não posso ir de fim-de-semana para Lisboa. Vai daí, há 1 bilhete disponível para quem quiser. Aviso desde já que as inscrições estão fechadas, há muito tempo. Por isso, este bilhete é mágico e garante-vos a entrada directa no encontro mais fixe do ano.
Caso estejam interessadas, podem enviar-me email ou contactar directamente estas meninas. Não se acanhem. Elas são para lá de espectaculares ;)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

o quarto da Sofia

Falaram-me de umas camas para crianças que são rentinhas ao chão.
Onde os pais não têm de se preocupar com as quedas.
Fui pesquisar ao Pinterest e encontrei estas imagens com quartos deliciosos.
 



 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Com os outros é mais fácil

Sou a mais velha de 13 netos. A minha mãe a mais velha de 8 irmãos. Depois de mim veio o meu irmão e a partir daí foram primos e primas com fartura para eu me entreter.
Sempre tive uma queda natural para as crianças. Percebo-as, consigo exprimir-se para elas, consigo entrar no mundo delas, sou palhaça e confidente. Conseguia coisas que os pais, meus tios, não conseguiam, como dar a sopa e adormecê-los. Assim aconteceu com todos os meus primos. Era eu ainda uma menina e já lhes dava banho, mudava a fralda, sempre com descontracção e, principalmente, com prazer.
Dizia que queria ser professora primária. Mas aos 18 anos a média baralhou-me os sonhos e fui parar às línguas. Ficou o sonho por cumprir mas que, entre voluntariado e afins, fui tentando colmatar.
 
Achava eu que tinha queda até agora, que sou mãe. Agora falho e falho dia após dia. Sinto-me perdida algumas vezes. Sinto que ou estou a dar mimo a mais, ou estou a dar mimo a menos, ou estou a ceder a birras, ou estou a tolerar regras que considerava intransigentes. Já a deixei cair, numa tentativa (falhada claro está) de a pôr a andar sozinha, e outra vez na cama, numa situação que me envergonho, pois eu estava ali, em frente a ela, e por distracção minha ela caiu. Não devia ter acontecido e aconteceu. Infelizmente. Era bastante tolerante com o sol, o frio, a chuva, o vento. Com os meus primos. Brincamos à chuva, chapinamos os pés nas poças até ficarem encharcados. Com a Sofia tenho mil e um cuidados. Eu sei que estou errada. Eu tenho a perfeita noção disso. Mas fazer o quê? Será porque é minha filha? Certamente que sim.
 
Resta-me esperar que o tempo me lembre a calma e descontracção que tinha com estes seres tão pequeninos.
 
(isto é um desabafo escrito a quente. Na verdade, amo ser mãe e até acho que tenho vocação, mas colocá-la a adormecer ontem foi terrível e é nestas alturas que questionamos sempre o nosso papel de mãe).

quinta-feira, 31 de março de 2016

Hoje Março acaba e Abril começa amanhã

 
 
Apetece-me um chocolate com o café depois de almoço. Vou à máquina e tiro. A sala está vazia, não há fumo, não há barulho, não há ninguém. Só eu, o café e o chocolate. Nos 3 minutos que lá estou não penso no que Março me trouxe, mas penso no que Abril me vai trazer. Há uma coisa que faço várias vezes ao dia: desfolhar a agenda, escrever, apagar, voltar a escrever. Anotar, alinhavar, programar, planear. Planear deve ser a palavra que mais me define, e também aquela que mais me faz sofrer. Mas mesmo sabendo disso, não consigo ser diferente.
 
Então encontro para Abril:
 
Hidroterapia do cólon: já o fiz, há 2 anos atrás. A primeira vez que ouvi falar sobre isto foi no blogue e pessoa que adoro: Miss Kale. Podem ler mais sobre o tema aqui.
Um piquenique no Parque da Cidade: esperemos que o tempo nos ajude a tornar este dia ainda mais especial. Sei de uma pessoa que vai adorar: a nossa pequenina.
Sessão com a Mariana Sabido, nos jardins do “nosso” Palácio de Cristal: mais uma vez, espero que S. Pedro seja nosso amigo. Apenas fiz uma sessão, tinha a Sofia 5 meses. Conheci a maravilhosa Catarina da Ties e passeamos por Serralves. Desta vez, será a Mariana a fotografar-nos.
Vou cortar o cabelo. Não muito, que ele já é curto, mas dar-lhe um bocadinho mais de vida. Talvez pinte ou qualquer coisa….(é raro, mas tão raro pintar o cabelo. Acho que já não o faço há mais de 10 anos).
 
E ainda tem de sobrar tempo para:
 
Rir, amar, partilhar, voltar a rir, voltar a amar, abraçar.
Perder o medo que tenho da cozinha e tentar cozinhar mais.
Continuar com o programa a que me propus, perante o meu susto ao ver-me ao espelho, de rosto sem vitalidade, sem firmeza, sem tonicidade: usar todos os dias, mas todos os dias mesmo, os produtos da Anjelif.
 
Hoje Março acaba e Abril começa amanhã. Os dias estão maiores, mais quentes (hoje não, que está um frio polar desgraçado), mais mornos.
Hoje, como em todos os dias, penso na sorte que tenho.
 
 
Sofia, 12 meses, com os pés na casa nova, ainda em obras claro está!

sexta-feira, 18 de março de 2016

planear

 
 
A agenda abriu, soltaram-se todos os papéis, caiu tudo ao chão. A agenda, os papéis, um sonho recente que tinha. A agenda abriu e aquilo que tinha lá escrito e planeado desapareceu, levado pelo vento que irrompeu pela janela da sala ou, quem sabe, pelas lágrimas que escorreram pelo rosto.
Por vezes a vida é assim. Baralha-nos os dias, troca-nos as voltas, pára o carrossel que insistimos andar, muda-nos as horas do relógio, bloqueia-nos a estrada que estávamos a seguir. Mas a Natureza, a mãe Natureza, é a mais poderosa de todas as mães. Ela sabe o porquê de nos ter abrandado. Ela sabe que não era a hora, nem o momento. Ela é sabedoria e amor.
Achamos nós que controlamos a nossa vida, que planeamos tudo ao pormenor, que agendamos os momentos, os acontecimentos. Mas não. Obviamente que é bom e saudável planear, ter uma agenda organizada onde cabemos nós e os outros. Mas depois, depois há o inesperado. E para esse também temos de ter espaço, não só no papel mas também no coração.
A agenda abriu, soltaram-se todos os papéis, caiu tudo ao chão. Baixei-me, apanhei tudo e colei, bocado a bocado, na agenda que não se quer cheia.
 

terça-feira, 8 de março de 2016

contar




 
 
Ouvimos as histórias dele vezes sem conta. Muitas das vezes, quase sempre, estávamos os quatro sentados à mesa, depois de uma refeição cozinhada pelas mãos ásperas e doces da minha mãe. Passou anos a fio a trabalhar no Porto. Desde os 14 anos que percorria aquelas ruas da Boavista, entrando e saindo em dezenas de autocarros antes de chegar ao destino. De manhã, eu ouvia sempre o despertador tocar às 5h20, todos os dias, fosse verão ou inverno. À noite, muitas das vezes não o via, principalmente naqueles dias chuvosos de inverno em que o trânsito se acumulava tanto que os carros desligavam os motores. Quando chegava, já a minha mãe nos tinha deitado (antes já tinha feito os trabalhos de casa connosco, uma cópia e dois ditados, dado banho e o jantar). Mas nunca, nunca mesmo a minha mãe jantou sem ele chegar. Guardava esse momento para ele. Não faço ideia do que falavam à mesa, pois dormia no mais profundo dos sonos no quarto que partilhava com o meu irmão. Já mais crescidos, e cada um com o seu quarto, já podíamos ficar acordados até ele chegar e ouvir, sem cansar, as histórias que ele contava.
Ouvimos as histórias dele vezes sem conta. Muitas delas repetidas, já as sabia de cor, mas nem por isso deixava de ficar entusiasmada e ansiosa pelo final, quase sempre em gargalhada.
Hoje é dia da mulher, eu sei, mas também sei que a minha mãe é uma grande mulher porque tem o meu pai ao seu lado.

segunda-feira, 7 de março de 2016

amar

 
 
Sabia que iria ser assim. Um amor avassalador, uma dor constante, uma saudade que não se explica, um coração constantemente feliz.
A Vida trouxe-nos, nos seus braços, um presente grandioso que és tu, embrulhada em laços de ternura. O Universo está a observar-nos, as nossas rotinas, os nossos medos, as nossas falhas, as nossas conquistas. Esperamos sempre que a mão de Deus nos possa amparar nos momentos que mais precisamos. Rezamos sempre que nunca seja preciso muito amparo, apenas aquele suficiente para seguirmos a vida habitual.
Os dias correm, às vezes com os ponteiros rápidos demais, com os segundos a ultrapassar os minutos e o corrupio das horas numa dança lestra e descompassada.
O tempo é o que fazemos dele. E eu quero, quero muito, fazer com que este tempo que vivemos agora, o presente, o hoje, seja vivido de coração aberto, alma sossegada e esperança. Que os dias menos bons (na sexta-feira passada tive um dia menos bom), não ocupem o lugar dos dias bons. Que todas as frinchas sejam tapadas com sol e luz. E que a chuva sirva apenas para regar esta flor, de seu nome amor, que cresce nas nossas vidas. Tu.
 (Sofia, adormeceu nos meus braços, cabelos encaracolados de cor caramelo, olhos verdes ou cinzentos consoante o tempo ou o dia, mãos fofas, pela branca, macia, de cor rosa nas bochechas, respiração calma).

quinta-feira, 3 de março de 2016

viver

 
 
 
 
Os dias têm acontecido com a naturalidade natural da vida. Tento viver todos os dias da forma mais pausada possível. Todos os dias prometo a mim mesmo que vou escrever, porque escrever faz bem, e porque gosto de escrever. Mas não dá. O fim do dia chega e é mais um dia sem palavras. Não faz mal, não me preocupo com isso.
A nossa filha fez 1 ano. Está grande, linda. Sobretudo, saudável, que é o mais importante.
Continuamos a nossa caminhada para a casa nova. Já temos chão. O que seria da nossa vida sem um bom chão? Madeira, clarinha.
Na minha cabeceira, sempre que o sono não me atraiçoa, leio algumas páginas do livro “A coragem de ser imperfeito” da Brené Brown. Repito para mim mesma que não faz mal não saber tudo ou achar que podia ser melhor mãe, melhor filha, melhor mulher, melhor profissional, melhor, melhor, sempre melhor. Para quê? Na verdade, nunca somos suficientemente bons, mas tentamos, certo?
Não me queixo da falta de tempo (agora, que estou a aprender a viver num modo slow living, porque antes queixava-me). Quando chego a casa, a minha prioridade é brincar com a minha filha. É ouvir as gargalhadas que dá quando lhe faço cócegas. É vestir-me confortável e sentar-me no chão com ela. Quando o pai chega, não estou propriamente a mulher mais sedutora. Mas estou, seguramente, a mulher mais feliz.
 
Imagem retirada daqui e vale a pena ler o texto